O que dizes tu?

14 Princípios da Boa Escrita
Martim Mariano, autor do livro Dar a Volta ao Texto, partilha contigo 14 princípios da boa escrita

Ai… a escrita, a escrita. Escrever continua a ser um pesadelo. Não é?
Pois bem, foi a pensar nisso que escrevi este artigo para partilhar contigo 14 princípios da boa escrita.

Claro que há muitos mais. Podia deixar-te aqui 100, sem problema. Mas não é dia, nem hora, para te maçar com tanta coisa.

Assim sendo, vamos lá que se faz tarde.

14 Princípios da Boa Escrita

O que vais ler daqui para a frente são apenas conselhos direcionados e que têm como único objetivo ajudar-te a escrever de forma mais eficaz. Só isso. Ok?

Estou um bocado farto dos professores das redes sociais (nos quais, por vezes, também me incluo).

Toda a gente tem sempre coisas para ensinar, mas que acabam sempre por aterrar no nosso feed como “Coisas Que Tens Mesmo de Fazer Se Queres…”, “O Que Nunca Ninguém te Disse Sobre…”.

Por isso, vou manter-me fiel à ideia deste artigo:
– ser curto
– ir direto ao assunto
– ser possível de ser lido a 150 km/h, que é como quem diz, em 5 minutos, mais coisa, menos coisa.

Vamos lá a estes princípios da boa escrita? Vamos, pois!

1. Pensa antes de escrever. Sempre!

Não há nada pior que sentar o rabo numa cadeira para começar a escrever sem teres a mais pequena ideia de por onde é que vais começar. Por isso, antes de começares define:
– O que queres dizer
– Como é que o vais fazer
– Para quem é que vais escrever
– Como é que vais falar
– Por onde é que vais começar
– Como é que vais acabar

Com este trabalho de sapa feito antes de começares a botar as falanges a trabalhar, tens a vida muito mais facilitada e evitas que o Salazar que vive dentro do cérebro de cada um de nós — ele está aí, acredita — tenha sequer tempo e espaço para se manifestar.

2. Bloqueios acontecem a toda a gente 

Até a pessoas que, tal como eu, escrevem todos os dias.
A boa notícia é que isto se pode contrariar. Como? A escrever, pois claro.

Escolhe um tema e escreve. Ponto.
Nada tem mais força do que ligar as máquinas para fazer trabalhar o motor.

Digo isto todas as semanas aos meus meninos e meninas das Mentorias de Escrita Criativa.

Por isso, se bloqueares, respira fundo e pensa que já milhões de pessoas passaram pelo mesmo antes e que há outras tantas que vão continuar a passar por isto durante o resto da vida. Porquê?

Porque sabem menos do que tu e vão continuar a achar que os bloqueios são coisas normais da vida dos escritores. Não são!

Os bloqueios são muito amigos de quem não se protege e continua a achar que escrever é algo que só pode ser feito se tivermos sido tocados pelo dedo invisível dos deuses da criatividade suprema.

3. Os algoritmos mudam a toda a hora

Por isso, não deixes que te suguem a alma!

Foca-te na tua escrita e esquece o resto. A sério!

Se só te preocupas com a porcaria dos algoritmos vais acabar por não escrever ou publicar nada.
Por isso, foca-te em melhorar a tua escrita. Todo o santo dia.

É essa a parte mais importante… e mais divertida!

4. Os exercícios têm superpoderes

Trazem clareza e trabalham a tua criatividade. Treina.
Os resultados vão mostrar-te que vale a pena o esforço e a dedicação.

Mas… prepara-te para trabalhar!

Isto não se consegue de um dia para o outro.

Ando a escrever online desde 2008, menina!! #AgoraPensa

5. Os templates poupam-te tempo e dinheiro. 

Além disso, são modelos de sucesso comprovado que te vão ajudar, sobretudo nas alturas em que a criatividade está pela hora da morte. (Acredita que estas alturas existem)

São estruturas e a criatividade também obedece a estruturas. Acredita em mim!

6. Garante que tens um Plano B…

… para os dias em que a criatividade está nas lonas… e bloqueias!

Acabei de te dizer que isto existe. Não duvides e não dês ouvidos a quem te disser que é tudo normal e que… (ai, senhores, como eu odeio este cliché de m*rda) faz parte! (brrrrr!! credo! que até me arrepio!)

E olha que há alturas em que não dá jeitinho nenhum.

Mas, repara, o que pode acontecer é teres alturas em que aquilo que te está a sair pelas pontas dos dedos fora não te agrada.

Pior, irrita-te!
Nesse caso, a melhor coisa que tens a fazer é… fazer outra coisa.

Por isso, lembra-te de ter um plano B.
E um plano C… just in case.

É sempre bom termos forma de Dar a Volta ao Texto — ai que ele está a ficar tão bom a fazer isto!!

Dar a Volta ao Texto é o livro que lancei em 2023 para ajudar toda a gente a escrever de forma mais eficaz

7. Deixa a edição e as melhorias para o fim

Primeiro pensas. Depois escreves. No fim… editas. Ok?

Esta regra (que é também uma estrutura vencedora), que tinha mesmo de ser enfiada a meio destes princípios da boa escrita, vai evitar que arranques os cabelos, que mordas os lábios, enfim… vai proteger a tua sanidade mental… e física.

Escreve e depois editas.

Até porque, confia em mim nisto, fazer as duas coisas ao mesmo tempo, é dar um sinal muito negativo ao cérebro. É dizer-lhe, a cada nova frase, que aquilo que estás a fazer é uma bosta.

8. Prepara o ambiente onde vais escrever

Escolhe a música, o sítio e a hora a que vais escrever.
Depois, traz água. Uma garrafa, um copo, o que quiseres.

Tenta sentar-te num sítio que tenha luz natural por perto. Mesmo que seja de noite.

Se vais fazer uma coisa tão boa e de que tanto gostas, rodeia-te daquilo que te faz sentir confortável. Boa?

9. As rotinas dão-te confiança e trazem conforto ao teu cérebro

Arranja rotinas que te deixem confortável.
Se sentes que tens mais criatividade de manhã, escreve a essa hora.

Se preferes o sossego da noite, escreve à noite.
Mas mantém a rotina sempre que possível.

O teu cérebro (e a bendita da criatividade, também) agradece(m).

10. Escrever alguma coisa é melhor do que não escrever coisa nenhuma

— Ahhh, mas estou sem ideias para escrever.
— Lá estás tu e as tuas… coisas.

Escreve sobre isso mesmo e tenta arranjar uma explicação para não estares a conseguir chegar onde queres.

Mais uma vez tenho de chamar a tua atenção para este que é um dos principais princípios da boa escrita que podes encontrar pela vida fora!

É tão bom e importante que faço questão de o repetir:

Escrever alguma coisa é melhor do que não escrever coisa nenhuma!

11. Começa por 1 frase verdadeira

Este é um conselho do mestre Hemingway.

Escreve a frase mais verdadeira que conseguires dizer naquele momento.

Escolhe o tema e escreve. É o melhor dos pontos de partida.
O resto vai começar a sair com naturalidade.

12. Não julgues o que estás a escrever. Deixa sair

Este é um dos grandes pecados de quem não escreve com regularidade.

Começas a achar que está tudo horrível e sem qualidade nenhuma.
Depois vem a autocrítica e a ideia de que não vales nada e não tens sequer permissão ou legitimidade para abrir a boca.

Livra-te do Salazar! Atira-o da cadeira abaixo que, assim como assim, ele já está habituado.

Escreve o que te faz sentir bem. 

13. Lê tudo o que escreves em voz alta

Não há um texto que publique que não passe por este filtro natural. Nem um.

Ler em voz alta permite-te sentir o pulso ao texto. Permite-te perceber o que faz sentido e o que não soa nada bem. É a diferença entre publicares alguma coisa aborrecida até à medula, ou um texto que provoca reações em quem o lê. Por isso, na dúvida… Lê tudo o que escreves em voz alta!!!

14. Pede conselhos e aceita as críticas construtivas

São elas que te ajudam a melhorar. Mas só as construtivas.
Tudo o resto é para mandar fora ou para sítios onde o sol não se atreve sequer a brilhar.

Sem críticas e a viver de palmadinhas nas costas… não vais a lado nenhum.
Aliás, deixa-me que te diga outra coisa: se não estás a receber críticas destrutivas de ninguém e nasceste em Portugal, é bem provável que estejas a fazer alguma coisa mal.

O sucesso não ensina nada a ninguém.

Por isso, não mostres o que escreves aos teus pais, ou à tua namorada (a não ser que, tal como eu, tenhas a sorte de ter uma mulher que faz o mesmo que tu)

Até porque, com grande dose de probabilidade, se toda a gente te diz que adora o que escreves, alguém te está a mentir com todos os dentinhos que tem na boca!

Viste? Eu disse que era curtinho. 
Agora, se me permites um último conselho, lê estes princípios da boa escrita umas 10 vezes seguidas.

Imprime esta lista e espeta-a em algum lado onde a consigas ver sempre que precisares.

Vai dar jeito, acredita.

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